Os desafios de criar um filho na Geração Alpha

O futuro já começou

E não é aquela musiquinha da propaganda chiclete de final de ano que ecoa na sua televisão.

Se o seu filho, assim como a minha Melissa, nasceu após o ano de 2010, ele faz parte da Geração Alpha ou mais comumente conhecida como Nova Geração.

Sucessora da Geração Z (nascidos em meados dos anos 1990 até o ano de 2010), a geração Alpha, tem como característica marcante, ser uma geração em que a tecnologia está presente desde sempre na vida destas crianças.

Atualmente como as mudanças são extremamente rápidas e dinâmicas, o tempo que separa uma geração para outra, reduziu drasticamente.

Antes uma geração poderia se estender num espaço de tempo compreendido entre 20 e 25 anos. Mas este tempo hoje é de 15 anos, exatamente pelo avanço constante da tecnologia e da informação.

desafios de criar um filho na Geração Alpha

Para então entender mais sobre esta nova geração de indivíduos, fiz uma pesquisa profunda sobre o tema e trago um panorama do que esperar desta nova geração.

Para compor este texto, além de ler artigos relacionados ao tema, encontrei na internet um documentário intitulado Alpha A Nova Geração o Filmepromovido por uma marca de alimentos industrializados para bebês, e deixo aqui como complemento do assunto, pois traz depoimentos reais de mães de alphas e nos auxilia melhor em como se aproximar de nossos pequenos e entender suas necessidades e demandas.

Acredito que muito além da pesquisa, tenho em casa, a prova viva do que é conviver e se relacionar com uma pessoa nascida nesta geração.

Melissa é a certeza de que a tal “Alpha” é conectada, urgente, rápida e digital.

Me recordo de Melissa, no auge do seu primeiro ano de idade, se aventurando na tela do celular do pai, toda concentrada com os vídeos infantis postados no YouTube.

E crescendo com os gadgets como parte de sua rotina, ela demandou ter seu próprio tablet para que pudesse interagir sozinha com os videos fofos, para os jogos de colorir, aplicativos cheios de musiquinhas para dormir, enfim, demonstrando suas habilidades para desbloquear telas, transitar pelos aplicativos, se arriscando no envio de áudios por mensagem.

Provavelmente você se identificou e viu seus filhos em algumas (ou muitas) destas situações, certo?

Por se tratar de uma geração em plena formação, é precipitado concluir as características exatas, mas listo algumas observações feitas por estudiosos a respeito das crianças “alpha“.

Características da Geração Alpha

  • São atentas e mais observadoras
  • Demonstram ser mais inteligentes
  • Habilidade maior de adaptação frente as novidades
  • Contestadoras

E quais são os desafios de criar um filho na Geração Alpha?

Desafio 1 – Respeitar os gostos e entender o individualismo dos seus filhos

Em um geração onde tudo é personalizado, nada mais justo que fugir de uma criação dos filhos que usa padrões, onde devem se encaixar e se moldar.

Eu fiz isto por muito tempo com a Melissa: a coloquei em aulas de ballet, acreditando que seria uma atividade extra perfeita para ela, porém eu não tive a percepção imediata de que o ballet não tinha absolutamente nada a ver com ela (tanto que a incursão durou apenas 6 meses).

Eu fiz o que julguei ser apropriado, mas sem perceber o que Melissa não tinha o perfil para tanto.

Fica a lição: escute seus filhos, cada um deles individualmente.

Entendendo suas preferências e vontades, valorizando o que eles sabe e o que querem fazer, entendendo suas necessidades, muito além das que julgamos serem adequadas e apropriadas.

Desafio 2 – Fazer uso da tecnologia como aliada, como ferramenta na criação de seus filhos

Como as crianças estão imersas neste ambiente, nada melhor que captar o melhor da tecnologia como parte integrante do desenvolvimento dos filhos.

Usá-la com sabedoria, através de conteúdo adequado a idade deles, conteúdo seguro e que seja colaborativo na educação  e comportamento das crianças é uma forma de se aproximar do universo deles e fazer uma ponte entre o estímulo e aprendizado.

Lógico que fazendo isto com moderação, lembrando que o uso exagerado de telas e dispositivos tem seu lado prejudicial também.

Desafio 3 – Fazer do diálogo a chave para o bom uso da tecnologia

Por ser uma geração instantânea, imediatista, online, temos que resguardar nossos filhos, principalmente em questões como segurança, privacidade, limites.

Converse muito com seus pequenos, mostre o que pode e o que não é legal com a tecnologia. Coloque sim regrinhas de uso, limites de tempo e mostre que existe um mundo além dos eletrônicos e afins.

Apresente este mundo para eles, seja dentro ou fora de casa, valorize a oportunidade de trazer para as crianças outras possibilidades.

Desplugar é preciso e faz bem.

Para finalizar e destrinchar o assunto no âmbito educacional, em como esta nova geração de crianças exigem mudanças também na parte educacional, o Pitadinhas, convidou a educadora, Cassia Bitellli Baeza de Almeida, Coordenadora Pedagógica, Psicopedagoga e especialista em MBA- Gestão do Processo Pedagógico.

Transcrevo abaixo as palavras dela a respeito da pauta:

Geração Alpha e seu reflexo na área educacional

“As transições de gerações estão cada vez mais rápidas, hoje podemos dizer que acontecem a cada 10 anos.

Isso tem grande relação com as mudanças vivenciadas pela sociedade nos últimos tempos. A geração Alpha, a deste decênio, é considerada a geração mais tecnológica e traz uma contribuição muito importante para a educação.

Pois, junto com esta nova geração surge uma “nova” sociedade que valoriza uma educação baseada no indivíduo e com relações mais horizontais.

Para quem trabalha e estuda a educação, sabe que a filosofia Construtivista há tempo já compreende que exista a necessidade de interação ativa do sujeito com o objeto de conhecimento para que se dê o processo de ensino-aprendizagem, além de ser necessário que a aprendizagem seja significativa considerando os conhecimentos prévios do aluno tornando-o ponto principal do processo e o professor sendo um mediador.

Portanto, não há novidade nessas colocações que muitos pesquisadores da geração Alpha reforçam ser uma inovação de agora na área educacional.

A meu ver, o que de fato contribui para que a educação evolua neste aspecto é que temos a partir de agora a sociedade valorizando cada vez mais essa filosofia de trabalho, e com isso, desestruturando o sistema educacional imposto que é classificatório, segmentado, e por vezes, pretere as reais necessidades do educando.

Com a geração Z, os nascidos entre 1990 e 2010 e já com DNA digital, a escola teve que aos poucos repensar a sua prática didática e metodológica e algumas já evoluíram nestas questões. Porém, ainda há muito que fazer.

Hoje já oferecem aos alunos aulas mais dinâmicas, com recursos audiovisuais e que valorizam as informações rápidas e instantâneas, tem em sua estrutura recursos como: tablets, smartphones, aparelhos de multimídia e computadores.

Com isso a geração Alpha ao entrar na escola, já encontrará uma nova escola, ou melhor, deverá encontrar uma nova escola, pois estes estão inseridos desde o nascimento em um mundo de tecnologias.

Outro ponto importante de se considerar sobre a geração Alpha e as mudanças da sociedade, é que eles nascem em uma época onde as liberdades fundamentais estão sendo debatidas e valorizadas, e com isso, uma sociedade mais livre de preconceitos e quebra de estereótipos.

Crescem em uma sociedade que busca o respeito e a individualidade. Portanto, a escola também deve se abrir para debates, trabalhar a empatia, desenvolver a sociabilidade e reforçar a inteligência emocional. Como muitas destas crianças são filhos únicos ou de famílias com poucos filhos a escola também tem como papel fundamental trabalhar a ética, a convivência, solidariedade e a cidadania.

Como ponto negativo, percebemos nessa nova geração algumas limitações psicomotoras, pois nas famílias que não há estimulo para que a criança brinque e explore suas possibilidades de movimento, há um atraso no desenvolvimento psicomotor ficando a cargo apenas da escola o trabalho de desenvolver habilidades como coordenação motora global, fina, lateralidade, ritmo, entre outras.

E também, com a instantaneidade das informações, das comunicações e a tecnologia em excesso esta geração não aprende o esperar, o ócio e as relações sociais, pontos importantes na construção dos valores e no desenvolvimento das relações sociais.

O fato é que nós pais Y de uma geração Z ou Alpha, temos que nos redescobrir nesse mundo contemporâneo mantendo o que cada geração contribui positivamente à sociedade e buscando desenvolver em nossos filhos habilidades que visem não só a tecnologia, mas principalmente as relações interpessoais com os olhos no futuro para as outras gerações que ainda estão por vir.”

A pauta deste texto foi sugestão da queridíssima Talita Lima do blog Zelo de Mãe, para que eu escrevesse sobre os desafios de ser mãe desta nova geração de crianças.

 

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comentários

3 thoughts to “Os desafios de criar um filho na Geração Alpha”

  1. O post ficou maravilhoso, Bia! Li ele todinho sedenta por suas informações!
    E tomo a liberdade de acrescentar um desafio, que sinto diariamente com o meu filho Alpha (aliás, ele tem todas as características elencadas por ti): como eles são muito contestadores, fica sempre me perguntando qual é a medida da argumentação possível. Quero sim criar um cidadão com senso crítico, para isso, dou bastante espaço para o diálogo, para ouvir os seus argumentos. Por outro lado, ele é uma criança, que precisa de limites, pede por limites, testa esses limites. Até onde podemos ouvi-los? Quando é a hora dizer: “chega, quem manda aqui é a mamãe!”?

    1. Eu acabei colocando a parte de contestação destas crianças como características da criança alpha e não explorei-a nos desafios. Ma sconcordo plenamente porque eles não aceitam o argumento sem antes esmiuçar ao máximo todos os porquês de tal. A autoridade nos tempos de alpha acaba sendo mais linear e menos hierárquica, já que conseguimos negociar algumas coisas com eles, mas temos com certeza que mostrar que mandamos e estamos em posição superior para não virar oba oba

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